“Era em contente euforia
Que todos se iam convidando
P’ra passarem bem o dia
Do Ano que esteva entrando”
Os anos 70 estavam a terminar e os Açorianos preparavam-se calmamente para uma nova década. Contudo deu-se um violento terramoto que atingiu todo o Arquipélago dos Açores, tendo forte incidência sobre as ilhas Graciosa, São Jorge e, principalmente, Terceira.
1980
15H42

0 Escala de Richter

0/12 Escala de Mercalli

O terramoto deu-se a apenas 35km a sudoeste da cidade de Angra do Heroísmo e provocou a destruição de grande parte da Ilha Terceira, sendo considerado o mais destrutivo dos últimos duzentos anos em Portugal.
A catástrofe arrancou a vida de dezenas de pessoas e fez centenas de feridos, muitos destes ficaram impossibilitados de se deslocar ao hospital devido à quantidade de destroços que impediam o trânsito de circular. Pouco tempo depois, para complementar o hospital, foram criados inúmeros espaços de socorro improvisados como, por exemplo, o Liceu de Angra (atual Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade).
0
Pessoas
Morreram
O parque habitacional e monumental de toda a ilha foi gravemente atingido. Para lá de 12.000 estruturas ficaram destruídas deixando pelo menos 21 296 pessoas desalojadas que se abrigaram durante semanas em barracas (muitas delas improvisadas) ou em casa de amigos.
“Quem abandona o seu lar
E seus haveres principais
Só para salvar a vida
Não podendo salvar mais”
Devido à então recente formação do Governo Regional (1976), a cadeia de comando em caso de emergência ainda não estava totalmente organizada. Mesmo assim, as inúmeras identidades formais e informais, como os bombeiros, polícia, militares, escuteiros, etc. começaram, desde logo, a ajudar as populações em choque.
Apoio
Bombeiros, Militares, Polícias, Escuteiros, Juntas de Freguesia, Rádio Amadores, Etc.
Apenas 4 dias após o terramoto, e para evitar emigrações em massa como havia acontecido anos antes com outras crises geológicas, o Governo Regional criou o G.A.R. (Gabinete de Apoio e Reconstrução) com o objetivo de organizar os trabalhos de reconstrução, nomeadamente, a estruturação da cedência de materiais e regulando linhas de crédito acessíveis destinados aos sinistrados.
Em vez de a população ficar à espera de que o Governo reconstruísse as suas casa, optou-se por fornecer os materiais e crédito aos cidadãos para que eles próprios reconstruissem em sua casa, a apelidada “auto-reconstrução” (1992). Isto despertou um sentido de empenho e entreajuda nos Açorianos que foi falado em todo mundo.
Além da ajuda nacional, o arquipélago também contou com doações externas. No total, mais de 257 608 914$50 (duzentos e sete milhões seiscentos e oito mil novecentos e catorze escudos e cinquenta centavos) assim como inúmeros materiais e alimentos foram doados a partir de todo o mundo, por exemplo, Inglaterra, Alemanha, França, Japão, etc.
0 Escudos
0 Euros
Devido à abundância de trabalho da construção, vieram imensos estrangeiros participar na construção que mais tarde trouxeram as suas famílias. Alguns acabaram por se estabelecer na ilha.
“Todos foram boas gentes
Que merecem ser louvados
Estes tão dignos valentes
Que valeram aos sinistrados”
Passo a passo, a vida foi voltando à normalidade. Apenas três anos depois, Angra está praticamente reconstruida e recebe o título de Património Mundial da Humanidade pela Unesco em 1983.

Ainda hoje se fala no terramoto que marcou o tempo dizendo que “há uma vida antes do sismo e há uma vida depois do sismo” (Helder Medeiros, 2013).

A natuzera que forma os Açores é munida de uma imprevisibilidade destrutiva e eventos como o sismo de 1 de janeiro de 1980 irão acontecer de novo. Assim, torna-se importante registar o que ainda existe para que sirva de base para eventos futuros, como inspiração ou consolo.

“O nosso objetivo consiste na criação de um inventário com o maior número possível de testemunhos de sobreviventes do terramoto ocorrido a 1 de Janeiro de 1980 dos Açores.”